CDL Conselho Diocesano de Leigos

Aprovado em Assembléia Geral no dia 10 de março de 1996 e promulgado pelo Sr Bispo diocesano D. Cláudio Hummes

OBJETIVOS

O objetivo geral do CDL será sempre estabelecido pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e pelo Plano de Pastoral da Diocese de Santo André.

O CDL deverá alcançar os seguinte objetivos específicos:

Animar e promover a vocação e a missão dos fiéis leigos na sociedade.

Animar e promover a organização dos fiéis leigos em associações religiosas, movimentos eclesiais, pastorais, grupos e outras formas associativas, para vivência e realização de sua vocação e missão na sociedade, bem como nas comunidades da Igreja ( Diocese e Paróquia).

Despertar os fiéis leigos, a fim de que desenvolvam uma consciência crítica de sua fé, para uma ação transformadora da sociedade, partindo de uma analise sócio- econômica, política cultural e religiosa, de um aprofundamento bíblico- teológico, à luz da Evangélica opção preferencial pelos pobres.

Estimular a participação permanente dos fiéis leigos nos processos de planejamento, decisão execução e avaliação da Ação Pastoral e Evangelizadora da Igreja no Brasil, na Diocese de Santo André.

Incentivar e subsidiar a formação dos fiéis leigos para que participem de associações, sindicatos, partidos políticos, meios de comunicação social, movimentos populares e outros, à luz da fé e do Evangelho.

Ser instrumento de expressão, comunicação e comunhão dos fiéis leigos e de suas organizações e ser instrumento de representação dos mesmos junto aos setores organizados da sociedade, em nível diocesano.

Ser órgão de ligação com o Conselho Nacional de Leigos - CNL e o Conselho Regional de Leigos - CRL Sul 1. Incentivar, articular e colocar o leigo na sociedade.

Elaborar subsídios e prestar assessoria na formação integral e permanente dos fiéis leigos.

Fornecer subsídios aos fiéis leigos que atuam em organismos pluralistas, a fim de ajudá-los em suas relações com grupos de outras crenças, visando a uma ação conjunta em favor das grandes causas da humanidade.

Aprofundar e difundir a espiritualidade dos fiéis leigos - comprometidos na Igreja e no mundo.

Participar das reflexões com as outras Igrejas Cristãs, visando à caminhada ecumênica, frente à realidade sócio- econômica, política, religiosa e cultural, exigida pelo Reino de Deus.

EM QUE SE BASEIA A ORGANIZAÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS

--- Pelo Batismo, Os fiéis leigos "são incorporados a Cristo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, participando assim da missão de todo o povo cristão".

---"A dignidade fundamental do cristão leigo que o insere no mistério de Cristo provém do Batismo e o torna membro de Seu Corpo e templo do Espírito Santo". Em virtude da comum dignidade batismal, o leigo é co-responsável, juntamente com os ministros ordenados, os religiosos e religiosas na missão da Igreja.

---- Os leigos são chamados a "ser plenamente Igreja", não apenas em função da urgência que se coloca hoje de sua participação na missão global da Igreja, mas sobre tudo em virtude de sua vocação batismal. O Papa Pio VII já dizia em 1946: "Os leigos são a Igreja" "A inserção em Cristo através da fé e dos sacramentos da iniciação cristã é a raiz primeira que dá origem, na base, a todas as vocações e ao dinamismo da vida cristã dos fiéis leigos".

---- O leigo segundo o documento de Puebla, "é o homen da Igreja no coração do mundo e o homen do mundo no coração da Igreja". Sua primeira tarefa é a de construir o Reino de Deus a partir do engajamento nas realidades do mundo. Essa "Índole secular"do leigo é também ressaltada pela Christifideles Laice.

---- Os leigos são os cristãos mais aptos a "modificar, pela força do Evangelho, os critérios do julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus".

---- A organização dos leigos que, desde o Concilio Vaticano II, é vista como "sinal de comunhão unidade", recebeu um grande impulso com a publicação da "Christifideles Laici" como conclusão do Sínodo dos Bispos sobre os leigos e vem sendo incentivada de forma crescente sobre tudo na América Latina a partir de Puebla. Mas foi em Santo Domingo que ficou mais explícito esse incentivo. Também a Igreja no Brasil, através das Diretrizes Gerais e outros documentos, vem incentivando cada vez mais os leigos a se organizarem. Esse apoio fica agora mais explícito ainda com a aprovação por unanimidade das "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil pela 33° Assembléia Geral da CNBB.

---- As conclusões da Conferência de Santo Domingo ressaltam o Protagonismo dos leigos na nova evangelização, na promoção humana e na cultura cristã e recomendam que se favoreça a organização dos fiéis leigos, "baseada nos critérios de comunhão e participação e no respeito à liberdade de associação dos leigos na Igreja".

---- A organização dos leigos não é uma concessão da Igreja hierárquica, mas um direito que "promana do Batismo" em função do chamado à comunhão na missão da Igreja. "Respeitada a devida relação com a autoridade eclesiástica, os leigos têm o direito de fundar associações para fins de caridade ou de piedade, ou para fomentar a vocação cristã no mundo e reunir-se para alcançar em comum esses mesmos fins". Os conselhos de leigos vão nesta linha se fomentar a vocação cristã no mundo e buscam se organizar em "plena comunhão com os Pastores" conforme recomenda o Documento de Santo Domingo.

O QUE É CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS

O Conselho Diocesano de Leigos - CDL é um organismo de articulação, organização e representação dos cristãos leigos em nível Diocesano. É parte integrante do Conselho Regional de Leigos CRL, os quais, por sua vez integram o Conselho Nacional de Leigos - CNL.

Não se trata de mais um "movimento" ou "pastoral", mas de um organismo que busca integrar os movimentos, pastorais e os leigos presentes em outras organizações eclesiais ( paróquias, comunidades, associações etc. ) , organizados em nível Diocesano, bem como os leigos , inclusive de outras denominações cristãs, comprometidos com a evangelização e não integrados em grupos apostólicos.

Também não devem ser confundidos com os Conselhos Diocesanos de Pastoral, dos quais participam não só leigos, mas também o Bispo, sacerdotes, diáconos e religiosos e cuja função especifica é a de planejar e executar as atividades pastorais da Diocese. Uma função, portanto, prioritariamente "ad-intra". Aos Conselhos de Leigos compete antes articular e organizar a ação dos fiéis leigos para que possam melhor cumprir sua vocação e missão na Igreja, mas sobre tudo no mundo, respondendo aos imensos desafios do vasto e complicado mundo da política, da economia, da cultura, das ciências e das artes... . Dessa forma, embora todos os organismos da Igreja sejam co-responsáveis na evangelização da sociedade como um todo, aos Conselhos de Leigos é atribuída a tarefa imensa e difícil de transformar, por dentro, as estruturas sociais que estão a serviço de um sistema excludente e profundamente injusto, isto significa que sua ação deve ser prioritariamente "ad-extra".

PARA QUE SERVE O CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS

Muitas vezes tentamos justificar a criação do conselho de leigos argumentando que os outros segmentos da Igreja já possuem sua organização. Fica a impressão de que estamos nos organizando "contra" esses outros segmentos ou para não ficarmos "por baixo", quando na verdade nossa organização deve dar-se para, em comunhão com esses outros setores da Igreja "graças a Deus" já organizados, podermos realizar a ação evangelizadora e enfrentar nosso inimigo comum que é um sistema perverso de exclusão e uma realidade profundamente desafiante para nós leigos, que temos no mundo, nosso "campo específico de missão". Na tarefa de organizar os leigos, devemos evitar "uma visão clerical as avessas", tentando criar uma hegemonia de leigos em substituição à hegemonia dos clérigos. Na verdade temos é de superar a própria noção de hegemonia, procurando ver a Igreja "como comunidade, com poderes-serviço". ( Igreja comunidade de comunidades com poderes-serviço )

A organização do laicato se coloca hoje como uma tarefa imprecindível frente ao imenso desafio que é a "nova evangelização" proposta pelo Papa João Paulo II ao se aproximar o terceiro milênio da era cristã, coloca frente aos cristãos, qual seja o de "superar os limites históricos do nosso cristianismo, por um empenho mais profundo na articulação entre fé e vida; pela superação do "mais devastador e humilhante flagelo" da miséria extrema a que são submetidos milhões de brasileiros, atingidos por diversas formas de exclusão social, étnica e cultural". Na verdade, esses novos tempos nos colocam diante de problemas e dificuldades decorrente do "indiferentismo religioso, do ateísmo, do secularismo, do consumismo"cujo enfrentamento exige muita coragem e organização.

Quais são, então, os objetivos da articulação e organização do laicato ?

__ Em primeiro lugar o de despertar a consciência da identidade, da vocação e missão dos leigos na busca de uma presença efetivamente transformadora no mundo e na Igreja;

__incentivar a vivência da Igreja-Comunhão, mediante a troca de experiências e vivências entre os diversos movimentos, pastorais, leigos engajados em paróquias e comunidades, no respeito mútuo e na busca de caminhos comuns;

__criar e incentivar mecanismos para oferecer uma formação integral, gradual e permanente aos leigos, mediante "organismos que facilitem a "formação de formadores" e programem cursos e escolas diocesanas...", buscando capacitar os leigos para que possam responder com mais eficácia aos desafios que são chamados a enfrentar num mundo profundamente marcado pelo pluralismo, individualismo, pela "crise ética pública e pelo subjetivismo ético na vida privada".

__levar os leigos a descobrirem e vivenciarem sua espiritualidade nos seus ambientes, à moda do sal e do fermento;

__incentivar a articulação e organização dos leigos nos diferentes níveis da Diocese ( Foranias, Paróquias, Comunidades etc. ) .

__estimular a participação permanente dos leigos nos processos de planejamento, decisão e execução e avaliação da ação evangelizadora da Igreja;

__representar o laicato junto aos setores organizados da Igreja Católica e outras Igrejas Cristãs e da sociedade;

__fazer-se presente na caminhada ecumênica, incentivando a ligação e comunhão entre leigos católicos e de outras Igrejas Cristãs, na base do povo de Deus.

COMO ARTICULAR E ORGANIZAR O CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS

Esta é uma pergunta para a qual não existe uma resposta pronta e única que se possa aplicar. Este é um campo em que o "caminho se faz caminhando". Na verdade cada Diocese é uma realidade diferente e como articular e organizar os leigos depende dessa realidade.

Como espaço de serviço, o conselho Diocesano de Leigos deve constituir-se como "sinal de comunhão e unidade". Portanto desde a sua criação deve-se ter presente a importância do "acolhimento" a todos os segmentos leigos, mesmos aqueles com os quais muitas vezes não concordamos em termos de metodologia ou pratica pastoral. O CDL deve ser um espaço para se trabalhar nossas diferenças, na busca do que temos em comum para o beneficio de toda a Igreja ( Diocese ) . Deve-se evitar portanto toda a forma de sectarismo e corporativismo. É no respeito às especificidades, carismas e práticas de cada organismo representado no Conselho e/ou de cada cristão que poderemos construir a unidade.

Evidentemente, para isso, devemos aprender a "administrar" os conflitos. Eles em si, não são maus nem bons. Dependendo de como os enfrentamos, poderemos canalizá-los em benefício do grupo. Uma primeira observação é que não se deve fugir ao conflito. AO contrário devemos deixar que aconteça, buscando aprofundar suas causas e consequências. Mas que isso se faça com um profundo respeito pelo outro, buscando sempre canalizar positivamente as divergências, para que essas não inviabilizem ou atrapalhem a construção coletiva. Afinal de contas, não devemos nos esquecer que não somos adversários nosso inimigo é outro e nos é comum. Também se recomenda que nunca, em nossos debates e contendas se agrida ou se condene pessoas, mas atitudes e idéias. Evidentemente, isso vai exigir sempre muita maturidade. É oportuno, nesses casos ter sempre presente o que nos ensinava João XXIII "no acidental, liberdade, no essencial, unidade, mas em tudo e sempre muita caridade".

Para a articulação dos Conselhos Diocesanos de Leigos será também oportuno termos sempre em mente os princípios que nos colocam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

* "o da variedade-complementariedade das vocações e condições de vida, dos ministérios, carismas e responsabilidade, como um corpo vivo, onde se realiza a "comunhão orgânica" entre seus membros;

* o da autonomia que garante a cada um dos membros do corpo eclesial o direito a cultivar a própria identidade e o próprio carisma, evitando todo nivelamento;

* o da subsidariedade, que atribui às pessoas e às comunidades intermédias a maior autonomia possível, em tudo que elas podem fazer, sem recurso a niveis superiores a não ser quando necessário. A aplicação deste principio exige a descentralização da organização e, em muitos casos, uma redistribuição de tarefas e responsabilidades;

* o da participação responsável, que visa envolver o maior número possível de interessados na reflexão, decisão, execução e avaliação. Ao mesmo tempo, a participação exige uma definição clara das competências e responsabilidades"

PROTAGONISMO DO LEIGO: APELOS, REALIDADE, PERSPECTIVAS

‘Novas situações, tanto eclesiais como sociais, econômicas, políticas e culturais reclamam hoje, com força toda particular, a ação dos fiéis leigos. Se o desinteresse foi sempre inaceitável, o tempo presente torna-o ainda mais culpável. Não é licito a ninguém ficar inativo"

Estas palavras do Papa João Paulo II expressam bem a relação entre os leigos e a missão: a urgência da missão dos leigos como Igreja num mundo cada vez mais complexo.

Os horizontes para esta missão são amplos e os cristãos leigos são chamados a responder co-responsavelmente aos desafios das novas situações missionarias. Como muito bem diz Santo Domingo: "As urgências do momento presente na América Latina e no Caribe reclamam: que todos os leigos sejam protagonistas da Nova Evangelização, da promoção humana e da cultura cristã. É necessária a constante promoção do laicato, livre de todo clericalismo e sem redução ao intra-eclesial...

As Diretrizes da Ação Pastoral da Igreja no Brasil ( 1991-1994 ) , colocam todos os cristãos diante de três desafios para a ação eclesial em nosso país;

a__os não evangelizados: grupos humanos e contextos sócio-culturais onde o Cristo e o Evangelho ainda não são conhecidos;

b__os batizados não-praticantes: os que perderam o sentido da fé e não se reconhecem membros da Igreja:

c__os fiéis pertencentes ao rebanho: os que vivem a vocação batismal, mas precisam de uma consciência sempre mais lúcida de ser Igreja. Esses desafios são confirmados pelas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil ( 1995-1998 ) .

APELOS MAIS SIGNIFICATIVOS

  1. O Grande apelo, parece-me, é de ordem teológica com grande repercussão na pratica missionária. Trata-se do próprio "status teológico do leigo na Igreja".
  2. O Concílio Vaticano II, considerado o Concílio dos Leigos, produzindo pela primeira vez um Documento específico - Apostolicam Actuositatem ( AA ), não deixou muito clara a questão. Há duas tradições: uma vem da Ação Católica, que criou os termos "laicologia", "hierarcologia"; outra vem do Movimento Bíblico, que acentuou a imagem de Povo de Deus.

PARTICIPAÇÃO DOS LEIGOS NA MISSÃO DA IGREJA

Nasceu a Igreja com a missão de expandir o reino de Cristo por sobre a terra, para a glória de Deus pai, tornando os homens todos participantes da redenção salutar e orientando de fato através deles o mundo inteiro para Cristo. Todo o esforço do Corpo Místico de Cristo que persiga tal escopo recebe o nome de apostolado. Exerce-o a Igreja através de todos os seus membros, embora por modos diversos. Pois a vocação cristã é, por sua natureza, também vocação para o apostolado. Como não organismo de um corpo vivo, nenhum membro se porta de maneira meramente passiva, mas, unido à vida do corpo, também compartilha a sua operosidade, da mesma forma no Corpo de Cristo, que é a Igreja, todo o corpo "segundo a atividade destinada a cada membro, produz o engrandecimento do corpo" ( Ef 4,16 ). Mais. Tão grande é neste corpo a conexão e a coesão dos membros ( cf. Ef 4,16 ). Que o membro que não trabalha para o aumento do Corpo segundo sua medida, deve considerar-se inútil para a Igreja e para si mesmo. ( AA 1334 )

OBJETIVOS A SEREM VISADOS

E porém plano de Deus acerca do mundo que os homens, em espírito de concórdia, construam a ordem temporal e sem cessar a aperfeiçoem.

Todas as realidades que constituem a ordem temporal, como sejam os bens da vida e da família, a cultura, economia, artes e profissões, instituições políticas, relações internacionais e outros assuntos deste teor, junto com a evolução e o progresso deles, não constituem apenas subsídios para o fim último do homem, mas possuem valor próprio por Deus nelas colocado, seja quando consideradas em si mesmas, seja como partes de toda uma ordem temporal: "e viu Deus que tudo quanto realizara era bom" ( Gn 1,31 ). Esta bondade natural das coisas recebe uma dignidade especial a partir de sua relação com a pessoa humana, a serviço da qual elas foram criadas. Finalmente, aprouve a Deus reunir todas as coisas, tanto as naturais como as sobrenaturais, num todo em Cristo Jesus, "para que Ele obtivesse o primado em tudo" ( Col 1,18 ). No entanto, este destino não só não priva a ordem temporal de sua autonomia, de seus fins próprios. Leis, subsídios, importância para o bem dos homens, mas antes a aperfeiçoa em sua expressão e eficácia própria e ao mesmo tempo a equaciona com a vocação integral do homem sobre a terra. ( AA 1355-1356 )

Ao longo da História, o uso das coisas temporais esteve aliado a graves erros, porque os homens, atingidos pela culpa original, deslizaram muitas vezes para inúmeros erros acerca do Deus verdadeiro, da natureza do homem e dos princípios da lei moral: daí veio que se corrompessem os costumes e as instituições humanas e, não raro, que a pessoa humana fosse oprimida. Também em nossos dias, não poucos, confiando mais do que é justo no progresso das ciências naturais e da técnica, se desencaminham para uma espécie de idolatria das coisas temporais, tornando-se antes servos delas do que senhores. ( AA 1357 )

AS URGÊNCIAS ATUAIS DO MUNDO: POR QUE ESTAIS AQUI O DIA INTEIRO INATIVOS?

Sínodo dos Bispos nos chama atenção para que os fiéis leigos escutem o chamado de Cristo para trabalharem na sua vinha, para tomar parte viva, consciente e responsável na missão da Igreja, nesta hora magnifica e dramática da história, no limiar do terceiro milênio.

Novas situações, tanto eclesiais como sociais, econômicas, políticas e culturais, reclamam hoje, com uma força toda particular, a ação dos fiéis leigos. Se o desinteresse foi sempre inaceitável, o tempo presente torna-o ainda mais culpável. Não é lícito a ninguém ficar inativo.

A leitura da parábola evangélica: "Ao sair novamente pelas cinco horas, encontrou outros que ali estavam e disse-lhes: "por que ficais aqui o dia inteiro inativos?" Eles responderam-lhe: "Porque ninguém nos contratou". Disse-lhes ele: "Ide vós também para a minha vinha". ( Mt 20,6-7 ).

Não há lugar para o ócio, uma vez que é tanto o trabalho que a todos espera na vinha do Senhor. O proprietário insiste ainda mais no seu convite: "Ide vós também para a minha vinha".

Temos pois de encarar de frente este nosso mundo, com os seus valores e problemas, as suas ânsias e esperanças, as suas conquistas e fracassos: um mundo, cujas situações econômicas, sociais, políticas e culturais apresentam problemas e dificuldades mais graves do que o que foi descrito pelo Concilio na Constituição pastoral Gaudium et spes. É esta, todavia, a vinha, é este o campo no qual os fiéis leigos são chamados a viver a sua missão, Jesus quer que eles, como todos os Seus discípulos, sejam sal da terra e luz do mundo ( cf. Mt 5,13-14 ). Mas qual é o rosto atual da "terra" e do "mundo", de que o cristão devem ser "sal" e "luz"?

 

A prioridade dos leigos vem sendo explicitada de diversas maneiras nos últimos documentos eclesiais.

Documento de Santo Domingo valoriza a vida e a missão do leigo como as primeiras das novas prioridades na Igreja do continente nos próximos anos: "A importância da presença dos leigos na tarefa da nova evangelização, que conduz à promoção humana e chega a informar todo o âmbito da cultura com a força do Ressuscitado, permite-nos afirmar que uma linha prioritária de nossa pastoral, fruto da IV Conferencia, há de ser a de uma Igreja na qual os fiéis cristãos leigos sejam protagonistas. Um laicato bem estruturado, com uma formação permanente, maduro e comprometido, é o sinal de Igrejas particulares que levam a sério o compromisso da nova evangelização.

RUMO AO NOVO MILÊNIO

Ás portas do terceiro milênio, toda a Igreja, pastores e fiéis, deve sentir mais forte a sua responsabilidade em obedecer à ordem de Cristo: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura" ( Mc 16,15 ), renovando o seu impulso missionário. Uma grande, empenhativa e magnífica tarefa é confiada à Igreja: a de uma nova evangelização, de que o mundo atual tem tanta necessidade. Os fiéis leigos devem sentir-se parte viva e responsável desta tarefa, chamados como são a anunciar e a viver o Evangelho a serviço dos valores e das exigências da pessoa e da sociedade.

Jubileu é um anúncio: Deus vem fazer justiça ! Ele vem atender os clamores dos filhos e filhas que sofrem na miséria e na exclusão ( PRMN n. 127 ).

A inspiração do papa João Paulo II, ao convocar os cristãos e os povos à vivência do "espírito do jubileu do ano 2000", vem da experiência e da mensagem dos povos bíblicos, da consciência de que as situações de miséria e pobreza do mundo atual são injustas e vergonhosas para a humanidade e ofensivas a Deus. Os povos bíblicos, inspirados e animados pela presença de Javé, fizeram práticas de resgate de dívidas sociais: "Nesse ano jubilar, voltareis cada um à sua possessão. Se venderdes ou comprardes alguma coisa de vosso próximo, ninguém dentre vós cause dano ao seu irmão" ( Lv 25,13-14 ). Agiram junto com Javé. Praticaram a justiça como um louvor que agrada a Deus. Retomaram os compromissos da Aliança, renovaram a fidelidade.

Se, para os hebreus, o Jubileu era celebrado periodicamente para retomar a fidelidade, para Jesus o Jubileu é uma prática permanente, e ele se anuncia e se realiza na Boa Nova destacada pelo evangelista Lucas: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão dos presos e aos cegos a restauração da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor"( Lc 4,18-19 ).

A espiritualidade bíblica do Jubileu insiste que, junto com o resgate das dívidas, é fundamental trocar o coração de pedra por um coração de carne, retomando a vivência dos sentimentos de amor de Javé por seu povo, procedendo a uma conversão tanto pessoal como social.

Papa João Paulo II fornece a chave para a relação entre Semana Social e celebração do Jubileu, quando indica as Semanas Sociais como um bom serviço que a Igreja pode oferecer à sociedade. "Sem Boa Nova para os pobres não haverá Jubileu Cristão".

 

"Aos leigos todos, pede o Concílio, a que respondam com amor, generosidade e prontidão, à vóz de Cristo _ que nesta hora os convida com mais insistência _ e ao impulso do Espírito Santo. Sintam os fieis leigos que este apelo é a eles especialmente dirigido, aceitando-o com ardor e magnanimidade. Pois é o próprio Senhor Quem através deste S. Sínodo torna a convidar todos os leigos a se unirem sempre mais intimamente com Ele. e, tendo como próprias as coisas que são do Seu interesse (cf. Filip 2,5) associem-se à Sua missão salvifica: e a eles, de novo, envia a toda cidade e lugar onde está para chegar (cf. Lc 10,1). Apresentem-se-lhe como cooperadores das varias formas e modos do único apostolado da Igreja, que deve adaptar-se continuamente às novas necessidades dos tempos, sempre generosos na obra do Senhor, o seu trabalho não é feito em vão (cf. 1 Cor 15,58). Os diversos tipos de apostolado ainda reclamam de modo especial formação coerente. Em relação ao apostolado da evangelização e santificação dos homens, devem os leigos formar-se especialmente para manter o dialogo com os outros, crentes ou não, para a todos manifestar a mensagem de Cristo. ( AA 31e33 )

 

O sínodo dos Bispos realizado em 1987 em Roma cujo tema foi "Vocação e Missão dos Leigos, na Igreja e no Mundo, Vinte anos após o Concílio Vaticano II". ( em que foi publicado o Decreto Apostolicam Actuositatem sobre o Apostolado dos Leigos ) Em 30 de Dezembro de 1988, o Papa João Paulo II, publicou o documento conclusivo desse Sínodo que levou o nome de Exortação Apostólica "Christifideles Laici" sobre a "Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e no Mundo".

Este documento procura analisar e fundamentar o "ser", a "vocação" e a "missão" dos leigos hoje, na Igreja e no mundo, mostrando-nos que todos são chamados a construir o Reino de Deus, não só os bispos, os sacerdotes, os religiosos (as) , mas também os fiéis leigos.

Em breve este documento completará 10 anos e é muito pouco conhecido dos fiéis leigos. O que poderíamos fazer para melhor divulgar e vivenciar os conteúdos do "Christifideles Laici" ?

O que poderíamos fazer de concreto para aprimorar a atuação do leigo nas atividades da Igreja e na evangelização do mundo ?

 

 

Festa de Cristo Rei Dia do Leigo

O "Dia do Leigo" nos oferece a alegria de uma reflexão conjunta em todo o Brasil sobre a nossa identidade e missão. O Papa João Paulo II na Exortação Apostólica Christifideles Laici diz: "A missão dos leigos, como parte integrante da missão de salvação de todo o Povo de Deus, é de importância fundamental para a Igreja e para o serviço que ela é chamada a prestar ao mundo dos homens e das realidades temporais".

A construção de um mundo mais justo e mais fraterno, de acordo com o homem, e sobretudo com o homem redimido por Cristo, está na contribuição efetiva de nossos esforços em prol do Reino de Deus.

O crescimento das relações entre os homens na sociedade em que vivemos, pela transformação e progresso do mundo, representam valores muito maiores se inseridos no projeto do reino de Deus.

Os problemas de trabalho, moradia, saúde, escola, recreação, desemprego, ética, que encontram soluções ao nível de um grupo ou de uma comunidade, hoje se revestem de uma dimensão política e social muito vasta. Por isso temos que lutar, para que, à luz do Evangelho, seja respeitada a dignidade humana, e a solução desses problemas não seja do predomínio e arbítrio de poucos ou do estado ( governo ) de modo que não sufoquem o homem no seu profundo anseio de liberdade, na sua autonomia e criatividade. Na espera de novos céus e novas terras, o cristão vive a sua presença no tempo como membro de toda a humanidade, no seu esforço pela transformação do mundo. Ao esperarmos "Novos céus e Nova terra", sabemos que esta Nova criação está presa no fato de Deus Ter querido "recapitular em Cristo todas as coisas"e "por meio d’Ele reconciliar em si as coisas".

A responsabilidade histórica e social e um compromisso para nós Leigos, diante de problemas referentes a relacionamento com os outros e com as coisas. Esta união sempre enfrentou problemas devido aos avanços imprevistos e complexos, oriundos das relações coletivas das estruturas institucionais.

Os fiéis leigos participam na vida da Igreja, não só pondo em ação os seus ministérios e carismas, mas também de outras formas, quando somos chamados a exercer o papel de cidadão ou cidadã na sociedade atual. Se não procurarmos melhorar a realidade do país em que vivemos, participando com garra na transformação desta sociedade, a começar de nós mesmos, não devemos nos chamar de cristão, ou pais, ou mães ou, mesmo ainda, estar num movimento que se encontra unido a Cristo, fundamentado em seus ensinamentos evangélicos, tampouco poderemos recitar. O MAGNIFICAT, esta oração que Maria tanto se empenhou em nos transmitir: Demostrando o poder de seu braço, dispersa os soberbos, abate os poderosos de seu tronos e eleva os humildes, sacia de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias. (Temos que aprender com Maria como dispersar os poderosos e elevar os humildes )

Os cristãos têm de ser "sal da terra", "fermento na massa", "luz do mundo". Precisamos responder com generosidade e eficácia ao chamado de nossa Igreja para construir a "Civilização do Amor". Isto é uma nova sociedade que será possível somente se seus homens e mulheres se renovarem interiormente através de um sério processo de conversão. Um homem novo é aquele que: - reencontra-se consigo mesmo ( assumindo com amor seus dons e limitações ) ; reencontra-se com as demais pessoas ( reconhecendo em todos e em cada uma delas um semelhante, um irmão e um amigo ) ; reencontra-se com Deus, reconhecendo sua imagem no rosto de cada ser humano, especialmente nos mais necessitados. A Civilização do Amor é tarefa histórica de todo o povo de Deus e nela se integram e alcançam plena significação os nossos projetos pessoais, familiares e institucionais. A Civilização do Amor deve ser uma pré-figuração do Reino de Deus, um verdadeiro sacramento, quer dizer, um sinal sensível da realidade transcendente e invisível que anunciamos ( pacem in terris )

 

PROTAGONISMO DOS LEIGOS

Todos os fiéis cristãos, pelo Batismo e Crisma, estão capacitados e têm direito de participar plenamente da vida e missão da Igreja. Para uma ação realmente evangelizadora, faz-se urgente que os leigos possam assumir o exercício pleno do sacerdócio comum do povo de Deus. Ë necessário, portanto, um investimento sério de toda a Igreja na sua formação, cultivo da espiritualidade e reconhecimento de seus direitos. As diversas comissões que se formarão para a celebração do Jubileu do ano 2000 serão um espaço privilegiado para o exercício do protagonismo laical.(Doc. 57)

Os fiéis leigos participam na vida da Igreja, não só pondo em ação os seus ministérios e carismas, mas também de muitas outras formas. Essa participação encontra a sua primeira e necessária expressão na vida e missão das Igrejas particulares, das Dioceses, nas quais "está verdadeiramente presente e atua a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica". (Christifideles Laici 25)

Formação dos Conselhos Regionais de leigos da Diocese de Santo André.

Objetivo: Articular as experiências no campo dos ministérios de leigos, a fim de favorecer uma Igreja de leigos adultos. ‘’E fundamental, para que os leigos assumam seu estatuto próprio de Christifideles Laici na Igreja e no mundo, estudar as coordenadas teológicas de uma Igreja toda ministerial que propicie novas práticas evangelizadoras. No atual momento da vida da Igreja e da sociedade, supõe uma integração articulada de pessoas e de atividades, tendo em vista a ação orgânica do todo. O cristão leigo tem a missão de construir o mundo segundo o Plano de Deus, mas conforme sua índole secular. Para isto, há necessidade de formar, instrumentalizar e articular os leigos, com fundamentação em princípios bíblico-teólogico-pastorais, assim como sócio-econômico-politicas. Em relação à realidade da sociedade: Qual é a forma mais adequada de ação diante de um povo que passa fome, é injustiçado, recebe baixos salários, é vítima de políticos pouco interessados no bem comum ? Como transformar sua tristeza em alegria ? Assim, os conselhos Diocesanos, Regionais e Paroquiais dos fiéis leigos devem converter-se em correntes vivas de participação e de solidariedade para construir condições mais justas e fraternas no seio da sociedade. Todos no mundo são protagonistas: e, às vezes, vítimas de uma profunda mudança cultural, que crentes, vivemos com esperança sem desconhecer as rupturas, incoerências e problemas morais que, por subjetivismo exagerado ou simples indiferença, desorientam a muitos e são causa de múltiplos sofrimentos. Não podemos negar fatos como o tráfico e o consumo de drogas, o crescente número de crianças de rua, a instabilidade da família, a iniciação sexual precoce dos adolescentes, a corrupção dos meios e dos fins que afetam algumas das instituições mais nobres da sociedade a Família. O Papa João Paulo II na Festa de Testemunho, no Maracanã, em 4/ 10/ 97 disse: A família é patrimônio da humanidade, porque é mediante a família que, conforme o desígnio de Deus, deve-se prolongar a presença do homem sobre a terra. Nas famílias cristãs, fundadas no sacramento do matrimônio, a fé nos vislumbra maravilhosamente o rosto de Cristo, esplendor da verdade, que enche de luz e de alegria os lares que inspiram a sua vida no Evangelho. Hoje, infelizmente, vai-se difundindo pelo mundo uma mensagem enganosa de felicidade impossível e inconsciente, que só arrasta consigo desolação e amargura. A felicidade não se consegue pela via da liberdade sem a verdade, porque esta é a via do egoísmo irresponsável, que divide e corrói a família e a sociedade.

Vocação e missão dos leigos

O Concílio Vaticano II definiu a Igreja como Povo de Deus. Nela é comum a dignidade de todos os seus membros, que têm a mesma fé, o mesmo batismo e participam da mesma Eucaristia. Disso nasce novo perfil de Igreja, aberta à presença ativa dos leigos. Eles são chamados, insistentemente, para assumirem a sua missão, quer na Igreja, quer na sociedade. Disso resulta, também, nova compreensão melhor, deveria suscitar e animar. Em relação à presença e atuação dos leigos na vida da Igreja, podem-se constatar significativos avanços. Eles exercem tarefas importantes no ministério da Palavra, nas celebrações, na administração, nas pastorais, nos conselhos, nas assembléias e nos variados movimentos. Os leigos organizados tem um trabalho cristão, sólido, ativo, de destaque na vida social e política de seus municípios; atuam nos meios de comunicação através de pronunciamentos ou textos nas rádios locais ou com moções, faixas, cartazes, boletins, manifestando-se quando às suas posições sobre assuntos ou situações principalmente quanto aquelas que ferem a vida; O Projeto do Grande Jubileu pede a participação do leigo na promoção da 3º Semana Social Brasileira e do Grito dos Excluídos que apoiem a Reforma Agrária; que produzam semanas de estudos, seminários, palestras, tendo sempre presente a conjuntura atual e que sejam no sentido de formar no leigo uma consciência crítica em prol da construção de uma sociedade solidária e cidadã; Que façam parcerias com outras organizações da sociedade tendo em vista situações que; promovam a vida Que vivam uma espiritualidade encarnada, que se dá na vida, nos ambientes, que seja ação que faz acontecer o Reino, como necessidade e não preceito; que promovam a unidade e comunhão na Igreja tendo em vista a pluralidade de carismas das pastorais, movimentos e comissões que constituem o Conselho de Leigos.

Que os leigos organizados troquem entre si suas experiências e que os leigos engajados na política tenham espaço para discutir seus projetos, seus desafios e angustias.

Que os leigos organizados formem uma grande rede, uma corrente de ajuda mútua, para não desanimarem na caminhada.

O CRL – SUL 1 sempre se preocupou com essas metas e nestes dois últimos anos realizou varias atividades e ofereceu subsídios para nortear a nossa organização de leigos da Diocese de Santo André.

A 20º Assembléia das Igrejas SUL 1 realizada de 24 a 26 de outubro fala em desclerizar o leigo, realmente nós deveremos ser desclericalizados, porém, devemos encontrar o nosso lugar na Igreja e Ter mais apoio dos padres e bispos, pois muitas vezes o leigo estuda teologia para leigos e não é valorizado na sua Paróquia, onde não tem oportunidade para passar a adiante seus novos conhecimentos. Isso seria valorizar o leigo no seu papel, no seu trabalho levando-se em conta sua cidadania; ( que o leigo não tenha a função de "mini-padre"). Dom Angélico Sândalo Bernardino: fala do Protagonismo dos Leigos: Diz que Santo Domingo consagra esta expressão no contexto da Nova Evangelização. Protagonista É o que está na "frente", na "trincheira da luta". O leigo ( a ) é o protagonista na construção de sociedade justa e fraterna. Em assuntos da família, trabalho, economia, política, pelo Batismo, Crisma, eles são os protagonistas. Na ordenação da Comunidade Eclesial, o Protagonista é o Ministro Ordenado. Todos, Povo de Deus, em Comunhão e Participação, somos convocados à Nova Evangelização. Dom Celso Queirós fez uma explicação para a Assembléia: A expressão "Protagonismo dos Leigos" foi criada pelo Papa em Santo Domingo no Chamado à "Nova Evangelização", Diz o Papa que, na Nova Evangelização, o protagonismo é dos leigos. Nosso Projeto Rumo ao Novo Milênio retoma o número 88. Quando se fala de Nova Evangelização, não se trata de refazer o trabalho anterior da Primeira evangelização, como se ela tivesse fracassado. A Nova Evangelização quer ser uma resposta ao "escândalo" de nossa época"( Paulo VI ) o abismo entre fé e vida. A primeira evangelização se empenhou em anunciar o Nome de Jesus onde Ele era desconhecido, em mostrar seu Caminho onde Ele era ignorado. Essa evangelização foi obra dos religiosos homens. Supunha deixar a Pátria, atravessando o mar e vir para o desconhecido. Nessas condições, só religiosos, celibatários, apoiados pelo Grupo de sua Congregação poderiam assumir a missão. Elas foram não os únicos, mas, os protagonistas da primeira evangelização. Hoje, porém, quando se trata de presença na vida e realidade concretas para imbui-las do Evangelho, são os leigos que têm o protagonismo. Os padres e religiosos, para realizarem melhor sua missão devem abandonar família, profissão e atuação político-social. Por sua própria condição não podem evangelizar diretamente a realidade humana do dia a dia. Nessa tarefa em que os leigos são os protagonistas, os ministros ordenados são "atores coadjuvantes" enquanto apoiam, ajudam, propiciam formação e condições. Na Evangelli Nuntiandi, Paulo VI reflete sobre isso num texto célebre e profundo onde a vocação do cristão leigo aparece como evangelizar as realidades do dia a dia, tais como família, trabalho, amor, sofrimento e a dor.

Chegou o momento de superar o discurso pela prática. A participação dos leigos deve contemplar os seguintes aspectos:

Sabe que o leigo tem uma missão a cumprir, porém falta-lhe discernimento quanto à sua vocação e se sobrecarrega de trabalhos pastorais, deixando muitas vezes de atuar, lá na sociedade onde poderia estar transformando-o segundo o Evangelho de Jesus Cristo.

Quando o leigo se concientiza da necessidade de se organizar, para juntar força para ser mais eficiente essa sua missão, tem dificuldade de perceber a diferença que há entre um Conselho de Leigos, espaço próprio dessa articulação e Conselho Paroquial Pastoral, lugar onde se trata de trabalho pastoral, eclesial.

É próprio do leigo quando em pastoral, no serviço que presta à Igreja se reunir no Conselho de Pastoral para refletir sobre as questões internas da Igreja, porém também lhe é próprio se organizar em Conselhos de leigos tendo em vista a sua presença cristã na sociedade. Porém a diferença é difícil de ser notada e raramente o leigo sente necessidade do segundo.

Quando há uma consciência da necessidade de se organizar em conselhos. Muitas vezes o leigo hesita por causa da sobrecarga que tem com inúmeros

Compromissos assumidos. A maioria deles, pastorais. Isso vemos refletido também na porcentagem pequena de resposta aos convites feitos para encontro de organização do laicato.

Por outro lado, quando o leigo resolve levar adiante uma iniciativa de CDL. Não sabe bem como articulá-la.

O fiél leigo é a presença da Igreja no mundo e a presença do mundo na Igreja.

Rumo ao Novo Milênio, em busca da Civilização do Amor.

 

Braz Rodrigues Fernandes

Coordenador do Conselho Diocesano de Leigos da Diocese de Santo André

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